Tive nos braços a aurora de estio.
Ainda nada abrira a porta dos palácios. A água estava morta.
As zonas de sombra não abandonavam a entrada do bosque. Caminhei,
despertando os hálitos vivos e tépidos, e as pedrarias olharam,
e as asas ergueram-se sem ruído.
A primeira aventura foi, no caminho já cheio de frescos e lívidos clarões,
uma flor que me disse o seu nome.
Ri-me para a wasserfall loura que se encaracolou através dos abetos:
no cimo prateado reconheci a deusa.
Então, um a um, tirei-lhe os véus. Na alameda, agitando os braços.
Na planície, onde a denunciei ao galo. Na cidade, ela fugia entre as torres
e as cúpulas, e , correndo como um mendigo sobre os cais de mármore, eu persegui-a.
No alto da estrada, perto do bosque de loureiros, cobri-a com os véus desordenadamente recuperados, e senti um pouco o seu imenso corpo. A aurora e a criança caíram na orla do bosque.
Ao acordar era meio-dia.
Rimbaud,
Aurora (trad. Mário Cesariny)