Duende
É bem possível que só eu exista
na redoma do mundo, e o resto seja
aparição celeste ou má pintura
de cenário sem fundo e sem motivo.
Assim se explica não ter eco
a parede sonora que inventei,
nem me reconhecer no rastro escuro
dos gestos e palavras que fingi;
estava escrito, talvez, que escreveria
estas palavras mesmas, neste verso;
às vezes, hiperbólico, duvido
que me seja evidente o ser que sou.
Porém pensar em ti é ter seguro
outro universo inteiro onde não estou
António Franco Alexandre, Duende
na redoma do mundo, e o resto seja
aparição celeste ou má pintura
de cenário sem fundo e sem motivo.
Assim se explica não ter eco
a parede sonora que inventei,
nem me reconhecer no rastro escuro
dos gestos e palavras que fingi;
estava escrito, talvez, que escreveria
estas palavras mesmas, neste verso;
às vezes, hiperbólico, duvido
que me seja evidente o ser que sou.
Porém pensar em ti é ter seguro
outro universo inteiro onde não estou
António Franco Alexandre, Duende

2 Comments:
sempre tão bonito...
subscrevo...
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